Nós
choramos quando há extremos. Com a maior tristeza. Com a maior alegria. Choramos
com a morte. Choramos com o nascimento. Derramamos lágrimas quando nos traem. Derramamos
lágrimas quando são honestos. Botamos pra fora quando a pessoa chega na nossa
vida de uma forma inesperada a nos tirar o ar, mas também choramos quando ela
se vai, assim... Sem nem ao menos dizer “adeus”. Choramos por ódio. Choramos por
amor.
Há
um choro que é só meu. Eu choro com a beleza do amor. Bem no início, ainda
quando é apenas um quase-amor. Quando está ali parado a nos tirar o ar, com a
incerteza se no amanhã ainda permanecerá vivo, bem como uma flor fraquinha no
jardim. Ah, eu choro com esse amor inicial porque ele é lindo e agonizante. É coberto
de mistérios e o verdadeiro. Se é pra ser continua, se não vai-se embora. Também
choro quando há o amor de verdade. O puro. Não aquele acorrentado a um “estou
em um relacionamento sério com...”. Não! Esse não é o amor puro. O puro é
aquele que você o esconde até o último fôlego. É aquele que dói quando os
olhares se cruzam. É quando teu coração dá um aperto a cada beijo. E o calafrio
se faz presente a cada toque. Além disso. Amor mesmo é aquele que respeitamos. Que
honramos. Que somos fieis. Verdadeiros. Esse amor sim me faz chorar e me
derramar em lágrimas. Talvez porque ele não existe, ou se existe ainda não
conheci. Porque amor, amor pra ser completo, tem que ser reciproco. E desse
amor, desse amor ainda não senti o gosto.