quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Quer que eu seja honesta? Lá no fundo acredito que o fato de eu ser tão bom pra ela, vai fazê-la querer ficar comigo. Mas, também penso que eu possa estar fazendo tudo errado, indo pelo caminho mais longo. Porque ela sempre terá essa certeza fodida que eu sempre estarei aqui pra oferecer o meu ombro. E até estou. E esse realmente foi o caminho mais difícil a se escolher e longo, muito longo, ela vem de vez em quando despeja todo esse perfume sobre o meu corpo e vai embora. Não é justo. Nunca é. Acorda! Mas eu a amo, ela não sabe, mas eu a amo. E mesmo que doa, serei desse jeito. Porque, talvez você não entenda, talvez não entenda porque nunca a viu sorrindo. E, ah! O sorriso dela vale qualquer dor.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Peço-te honestidade. Desta, que sempre teve comigo. Olhar nos teus olhos e ver a verdade é como cheirar o mais puro dos cheiros e enxergar um horizonte repleto de esperança. E é esta honestidade que me faz ser tua e cada vez mais tua a cada dia que passa, a cada novo entardecer quando me deparo com lembranças suas jogadas na tela do celular. Engata-me em um balanço sem fim, sem volta. Por vezes, tenho até medo de continuar a me enroscar novamente nestes teus cabelos negros, nessa tua pele macia e sorriso sincero. Dói imaginar tê-la, imagine não tê-la. Será honesta essa ponta de esperança que desperta em meu peito? Será sincera quando diz sentir falta da minha presença? Será que carregas mesmo pureza quando me faz viajar para o lugar mais belo que existe só de imaginar tê-la comigo? Não que importe, já estou tomada pelo sentimento de ir, de ir sem volta. Mas é sempre bom saber em que chão estamos pisando e esse tem cheiro de movediça.

quinta-feira, 9 de maio de 2013


Não menina, não brinca assim comigo. Porque, apesar de eu ter esse rosto bobo quando te vejo, posso ser fogo, serpente, bicho. Não vou te ferir, não, não pense errado de mim. Mas também não brinca, não brinca tanto assim. Porque, se alguém vai se queimar nessa história toda, essa pessoa não sou eu. Porque você menina, você é transparente como as águas cristalinas de um lago que já visitei. Mas eu não, eu não sou exatamente esse rosto inocente que você pensa ter ganhado no primeiro beijo. Até ganhou, mas não foi apenas o carinho que você imagina, foi também uma pessoa que já viu muito da vida. Não sou do tipo que leva tapa de um lado e dá a outra face. Não, eu não sou assim, por mais que você pense.

É verdade que não estou indo te procurar. Que estou te deixando viver. Não me vejo no direito de atrapalhar na sua vida, interferir no que não é meu. Quando você quiser, você vem. Porque, lá no fundo, eu sei que você sente saudade de tudo que vivemos. Eu sinto quando você me olha que não é apenas um abraço frouxo que você quer me dar. Mas sim daqueles de quando nos conhecemos. Bem apertado. Bem seguro de si. E eu sei, eu sei que qualquer dia desses essa saudade que você sente no peito será insuportável e você vai vir até a mim. E você não vai precisar dizer nada pra eu entender que é ao meu lado que você quer ficar. Porque eu vejo, eu vejo nos nossos olhares cruzados a saudade que você sente. Então, não, eu não vou insistir e persistir em te ter ao meu lado. Quando você quiser, você vai vir e eu vou estar aqui, mesmo que todo esse tempo longe de ti doa, eu vou estar aqui pra quando você retornar. Porque menina, você vai enxergar que a sua paz é ao meu lado.

segunda-feira, 6 de maio de 2013


Guardarei teu olhar profundo, aquele que invade a alma. Guardarei teu sorriso aberto. Guardarei teu humor eterno. Guardarei, também, teus toques suaves, teus beijos vorazes e a tua voz ao pé do ouvido. Guardarei, com carinho, cada momento. Guardarei nossas conversas, nossos desabafos, nossas palavras não pronunciadas. Guardarei a tua sinceridade, a tua honestidade, a tua honradez. Guardarei teu jeito espontâneo. Guardarei as lembranças de um passado bom. Guardarei teu jeitinho bobo que me faz sorrir. Guardarei teu cheiro. Guardarei teus sussurros. Guardarei, finalmente, a paixão que depositastes no meu peito, mesmo que doa... Guardarei.

terça-feira, 30 de abril de 2013


Não, não pense que eu não lutaria por você. Não pense que eu te escutar falando dela e resmungando no meu ouvido os seus desamores é porque eu não te quero ou que desisti. Não, não pense nada disso. A verdade é que não se luta contra o amor. E você a ama. Eu lutaria por ti, mas só lutaria se fosse pra utilizar as armas limpas. Não quero que derrames uma lágrima, não quero te proporcionar dor, sofrimento. Então, não, não lutarei por ti. Lutarei contigo, ao seu lado, em busca do que te faz sorrir. Porque, menina... Tu não sabes o quão lindo é o teu sorriso e se alguém o usurpa do teu rosto, me dói. Então, não, não lutarei por ti. Não enquanto teus olhos brilharem por ela e não por mim. Mas, não pense que eu não quero, se fosse da tua felicidade estaria utilizando todos os métodos para estar ao teu lado, mas não o farei, não agora, não nesse momento. Guardo apenas a minha dor, porque ela dói menos quando te vejo feliz, mesmo que comigo não seja. Então, menina... Não pense errado de mim, nem do meu jeito quieto, eu só estou cuidando de ti, guiando-te pelo caminho que você mesma escolheu. O que sinto por ti me faz respeitar cada decisão tomada, seja de forma sã, seja por impulso. Mas, jamais, pense que eu não lutaria por ti. Não existe, no momento, coisa que eu queira mais. Porque, aqui, lateja uma saudade sem fim de ti.

quinta-feira, 25 de abril de 2013


Às vezes penso que eu só queria ter o direito de sentir o teu abraço, aquele bem apertado, sem desculpas de chegada ou saída para acontecer. Eu só queria sentir o enlaço dos teus braços envoltos na minha cintura, bem perto. Tão perto que até a tua respiração eu escuto e sinto e viajo. Tão perto que o teu cheiro entra no nariz a me intoxicar. Tão perto que o bater do teu coração faz o meu entrar no mesmo ritmo. É pedir demais apenas esse abraço? Naqueles dias frios, em que chove. Naqueles dias tristes, em que choro. Naqueles dias que até a própria presença incomoda. E eu só queria você assim, sem medo, sem culpa, só por querer, só por estar. E eu só queria você assim, não em um minuto, não contando os segundos, sem ter hora, sem lembrar do tempo. Queria, queria o teu abraço, o teu cheiro, o teu lar. Mas, eu sei que você tem o seu próprio tempo, sabia que eu tenho o meu também? Mas o meu está indo, enquanto você fica, e o meu vai... Vai veloz, quando você quiser chegar novamente, o tempo já tem passado menina, já tem passado... Porque o tempo de hoje me corrói e até a sua presença dói.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Quem Nunca Amou?


Amor não é esse sentimento de bate e rebate que sentimos por aquela pessoa que passa em nossas vidas como um tufão, como um vídeo bonito que nos toca a alma e faz doer. Amor é mais que isso, é a reciprocidade, é o respeito. Amor é aquela pessoa que veio e cuidou com carinho, sem nada querer em troca... Amor é aquela pessoa que nos ensinou a viver com palavras mesmo que doesse nela mesmo. Amor é aquela pessoa que fingiu estar feliz quando deveras doía enquanto morríamos de amor por outra pessoa. Amor é aquela pessoa que deixou de lado seus sonhos mais profundos para aventurar-se em abraços tão incertos. Amor é aquela pessoa que disse “sim” quando, na verdade, precisava dizer “não”. Amor é aquela pessoa que não se aguentou e teve que abrir o coração em uma noite fria e solitária quando os respingos de chuva se confundiam com suas lágrimas. Amor é aquela pessoa que pulou da ponte para segurar tua mão que estava já a esbarrar no concreto. Amor é aquela pessoa que sorriu delicadamente enquanto você proferia palavras de correspondência. Amor é aquela pessoa que se entregou não apenas de corpo, mas lhe abriu a alma.

Enquanto muitos vieram e se foram, apenas o amor ficou. Aquele, talvez, de anos atrás, que fincou os dentes da eternidade em ti. Será sempre a prova viva do sentimento puro, sincero. Será sempre a referência para as demais pessoas. O soluço incontido, o nome que trava antes de ser pronunciado. A mágoa por ter sido perdido ou escapado por conta de um destino malvado.

O amor é aquela pessoa, aquela pessoa que sempre iremos lembrar ao acordar, antes de dormir, quando esbarramos com o seu perfume em outra pessoa, quando vemos feições semelhantes, roupas parecidas, gestos análogos. E até vai doer na hora, mas depois sorriremos, sorriremos por lembrar o quanto fomos felizes ao lado daquela pessoa, mesmo que tenha durado uma eternidade ou apenas poucos segundos.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Será sempre a minha saudade.


Nem parece que você está aqui, a dois palmos de mim. Parece que preciso percorrer léguas até os seus braços, seus abraços. Tão linda, tão intocável. E só ficou o gosto amargo do beijo doce, do abraço apertado. E cada palavra dita hoje corta qualquer esperança de um futuro lado a lado, sem maldade você destroça meus sonhos, meus planos, minha alma. E dói, dói não ter aquilo que nem cheguei a ter, apenas fantasiei para os meus melhores dias, te ter nos meus braços menina. Oh meu deus, porque não traz de volta essa menina? E você se foi, assim sem ir, assim ficando aqui no meu peito doído. E você se foi, se foi querendo voltar, se foi querendo ficar. E dói, dói sem sentido, sem razão, sem motivo. Porque nem é amor, nem é. Somos um nada, um quase, uma virgula mal feita, um desenho torto, uma porta entreaberta, um sorriso amarelo, um abraço frouxo. Somos o que não somos, o que não deveríamos. Um mar cheio de mentiras agradáveis aos ouvidos, um conformismo necessário. E você, você menina... será sempre a minha saudade.

domingo, 7 de abril de 2013


O problema de tudo é que ela chegou em um momento que não podia chegar. Arrebatou-me de um mundo que só continha dor. Seu sorriso clareou as mágoas, fez-se sóbrio em uma realidade embaçada. Teu olhar, profundo, que quase não quis cruzar com o meu. Talvez por medo de encarar a profundidade que é a minha vida. Talvez por receio de se perder e nunca mais sair. Nunca havia demorado tanto tempo pra eu olhar no fundo dos olhos de uma garota e vice-versa. A gente tentou se desencontrar em algo que simplesmente... foi um encontro. E antes que estava uma turbulência, uma tempestade ainda maior veio com a cor dos teus olhos. E agora você se vai, tão rápido quanto veio, daquelas paixões de cinema que tudo acontece em exatos 90 minutos e só ficou mais uma dor no meu peito, um soluço incontido, uma saudade sem porquê, sem razão. E agora não tenho mais aquela fonte segura que são os teus braços em abraços sem fim, apertados que toca até a alma.

“E o que foi prometido ninguém prometeu” e como a música diz, nenhum tempo foi perdido menina. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Desatina


A casa está suja. Deixamos de varrer, lavar, limpar. Deixamos de nos olhar, nos tocar, nos beijar. Deixamos de nos tratar, nos respeitar, nos dirigir palavras. A casa está suja. Como quando a encontramos, sem amor, sem carinho, sem compaixão. Acabou as músicas no meio da noite, os abraços apertados, os sorrisos intercalados.

Vez ou outra sinto cede e acabo cruzando com suas coisas ainda jogadas na mesa, um anel caído no chão, uma sandália no pé da porta e um fantasma a me assustar. Não sinto saudades de você aqui, nem do seu corpo colado no meu. Minhas lembranças não são direcionadas ao seu jeito protetor comigo, cuidando dos meus cabelos, ajeitando a minha postura. Minhas memórias só me levam a dor que depositou em meu peito, ao entrave que jogasse em meu coração, me deixa amar... Mente mais uma vez e me convence de que nem todo mundo é como você, me convence que nem todos irão me machucar e me tratar como um pedaço sem vida. Mente mais uma vez e diz que tudo vai ficar bem. Ou não, apenas saia pela porta de uma vez e não volte nunca mais. Deixe-me esquecer de todo o seu cinismo, de toda a sua atuação. Me liberte de suas inverdades, suma. Porque, só de olhar pra ti, meu coração chora.

E de todas as mentiras que você me disse, “eu te amo” era a minha preferida.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

“Todos os dias quando acordo...”


É como se o mundo de ontem tivesse ficado pra trás e o de hoje veio despedaçado com memórias sujas, arrependimentos mortais ou até mesmo uma derrota de algumas horas. É porque, sem você, você que não sei quem, faz falta. No fim da noite imagino teu carinho, você esfregando teu nariz gelado na minha bochecha, tua mão entrelaçando na minha, teus olhos verdadeiros em um brilho infindo, tua voz a dizer que me ama, como se fosse um uníssono de harmonia ímpar. E eu sinto falta de tudo isso que ainda não vivi contigo; das conversas a serem jogadas foras; das piadas compartilhadas; dos sorrisos na mesma intensidade, velocidade e tom. E eu sinto falta do teu cheiro que fico a fantasiar na minha cabeça, ele é doce, mas não tão doce. Eu sinto falta de ti, que ainda não chegou, que ainda não me conheceu, que ainda não me jurou tua vida, nem despedaçou meu dia de saudade ao sair de casa pra ir ao trabalho. E todos os dias quando acordo, lembro que pode ser hoje, daqui algumas horas, que vou cruzar contigo... e vamos sorrir, no mesmo instante.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Quando choramos


Nós choramos quando há extremos. Com a maior tristeza. Com a maior alegria. Choramos com a morte. Choramos com o nascimento. Derramamos lágrimas quando nos traem. Derramamos lágrimas quando são honestos. Botamos pra fora quando a pessoa chega na nossa vida de uma forma inesperada a nos tirar o ar, mas também choramos quando ela se vai, assim... Sem nem ao menos dizer “adeus”. Choramos por ódio. Choramos por amor.

Há um choro que é só meu. Eu choro com a beleza do amor. Bem no início, ainda quando é apenas um quase-amor. Quando está ali parado a nos tirar o ar, com a incerteza se no amanhã ainda permanecerá vivo, bem como uma flor fraquinha no jardim. Ah, eu choro com esse amor inicial porque ele é lindo e agonizante. É coberto de mistérios e o verdadeiro. Se é pra ser continua, se não vai-se embora. Também choro quando há o amor de verdade. O puro. Não aquele acorrentado a um “estou em um relacionamento sério com...”. Não! Esse não é o amor puro. O puro é aquele que você o esconde até o último fôlego. É aquele que dói quando os olhares se cruzam. É quando teu coração dá um aperto a cada beijo. E o calafrio se faz presente a cada toque. Além disso. Amor mesmo é aquele que respeitamos. Que honramos. Que somos fieis. Verdadeiros. Esse amor sim me faz chorar e me derramar em lágrimas. Talvez porque ele não existe, ou se existe ainda não conheci. Porque amor, amor pra ser completo, tem que ser reciproco. E desse amor, desse amor ainda não senti o gosto.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um passado. Que sempre foi passado.


Sempre te achei uma moça com olhos dissimulados. Desde o primeiro dia que me olhou de forma despretensiosa, mas me querendo no seu mundo. Querendo-me de forma egoísta, aos seus pés, em suas mãos, na pele, no corpo, dentro de ti. Olhou-me com olhos de quem nada quer e, beijou-me com fome. Pôs a confusão na minha cabeça, achei divertido, achei uma aventura me aventurar nos teus braços. Aventurei-me.

Mentiu uma. Duas. Três. Mil vezes. Com os mesmos olhos que me olhou da primeira vez. Sem sentimento, sem dó. Com a mesma frieza de uma puta que faz todo o trabalho pensando no dinheiro sujo de prazer disfarçado. Enganou-me enquanto sussurrava amor aos meus ouvidos. Acreditei, não por acreditar realmente, mas apenas por querer, por comodidade, por amor juvenil. Fez-me puta dos seus sonhos e aceitei, lá no fundo sabendo exatamente qual era o meu papel.

Fez-me beber, fumar, foder. Escutei a música e simplesmente dancei.

Causou-me dor, mas não dor de amor como deveras pensa. Causou-me apenas essa dor que aqui sinto, dor de solidão por lembrar na posse que tinha sobre vocês nos dias frias, na calada da noite, ao amanhecer enquanto eu te olhava dormir. Tirou-me a liberdade para me enclausurar em um paraíso atormentado. Causou-me sangramento profundo, vícios incuráveis, soluços sem sentido.

Fez-me sua, sem realmente fazer. Fez-me sua numa ilusão que eu quis no momento. Fez-me sua numa mentira sem fim. Num medo. Numa comodidade gostosa e dolorosa.

Hoje, o cigarro dói na garganta. A bebida dói na goela. O sorriso perfura. O beijo faz sangrar. Hoje, a distância parece tão infinita que nem aos menos sei quem é tu realmente. Quem és? Hoje, de ti nada quero. Nem carinho. Nem o amor mentirosa que me juraste com a mesma boca que beijastes tantas. Tantas outras, que nem sei o nome nem endereço. Até gostaria de saber, para bater lá na porta e perguntar se com elas foi tão falso como comigo foi.

E depois de tantos anos, essa é a lembrança que ficará de ti. A pessoa que cuidou como mãe, mas traiu como pai. Que ensinou-me a viver, mas fechou meu coração em uma paranoia sem fim. E depois de tantos anos, queria eu guardar as boas lembranças, mas delas não consigo lembrar. Porque para cada palavra que você falou de forma verdadeira, se é que falou, sei que veio dez mentiras, ou onze, até doze se brincar. É isso, você brinca com a verdade na sua vida. Brinca como se fosse coisa pouca, como se dor não causasse.

Mas te perdoo, por pena.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Memórias de Amor II


Vez ou outra estou aqui eu a implorar por tua atenção. Acompanho teus passos discretamente com a esperança de esbarramos na avenida principal. Mas, sempre chego atrasada. Nem acho que nossos relógios estão ajustados mais no mesmo horário. E até acho que quando você se foi, tratou de atrasar o horário dos meus para que eu ficasse perdida.

Eu sei que você quis ir, eu sei que não fiz nada para te impedir. Mas me dá o direito de pedir que você volte. Me dá o direito de mendigar por sua presença como uma putinha por dinheiro. Lambo-te os pés. Pode julgar porra! Eu não ligo, porque ela... Você não sabe quem é ela e se soubesse talvez fosse você quem tivesse de quatro a beijar-lhe os pés.

Ela é uma morena. Daquelas de pele macia e olhar profundo. Daquelas que mata qualquer assexuado de desejo. Porque ela é segura de si, fora da cama é como se fosse uma santa, com aquela cara de menina moça, mas na cama... Ah! É na cama que você a conhece de verdade, com aquela cara de puta, mordendo os lábios enquanto você a come, enquanto ela pede por mais.

Sim! Eu lambia teus pés com o mesmo desejo que chupei teus seios naquele dia 12. Naquele que a beijei com tanta vontade que esqueci até de respirar. Esquecemos até que é “errado” foder no primeiro encontro. Esquecemos qualquer lógica que existe. Troquei a despedida da noite por uma saída calorosa quando o dia amanheceu. Digo calorosa porque ainda sentíamos o prazer de nossas mãos deslizando pelo corpo uma da outra.

Mas deixa pra lá! Porque mesmo que eu te lamba o corpo todo ela já se foi. E hoje, é como se a sua existência se resumisse a um iceberg dentro de uma piscina de plástico. Tem algo muito frio dentro de um corpo muito pequeno. Não digo isso por desdém. Nem por ela ter me deixado. Muito menos porque ainda a amo, até mais do que no primeiro dia. Digo isso porque essa é a verdade dos fatos.

Pode até ser arrogante dizer isso, mas só eu derreteria todo aquele gelo. Sabe por quê? Ninguém conhece essa mulher como eu! Lhe conheço o corpo, cada ponto de fraqueza. Não só aqueles que lhe dão prazeres carnais, mas aqueles que te fazem sorrir. Sei o que ela gosta de tomar ao acordar. Sei também qual sua cor de esmalte preferida. Sei quais são seus medos, apesar de nem ela saber. Sei o que ela quer para o futuro e saiba que esse é o ponto principal. Porque eu sou tudo isso que ela quer, por esse motivo também sou o seu maior medo. Ela se foi por medo. E lá no fundo ela sabe disso. Toda essa frieza é como o escudo do guerreiro. E ela é sim uma guerreira, é mulher forte, mas não é imune a toda essa dor. Porque o amor é assim, não se sente satisfeito com a calmaria de um sentimento doce, ele causa dor, mesmo que ninguém seja o culpado do crime.

Então volta morena. Volta porque talvez eu mesma vire um iceberg aí será mais difícil. Porque teremos que esperar a correnteza nos fazer colidir... E o mar... Ah! O mar é imenso e salgado.

Nostalgia II


Estava prestes a completar mais um mês de existência quando rompi com ela. Disse-lhe adeus, assim como a pessoa mais decidida do mundo. Entreguei-lhe ao mundo com lágrimas nos olhos. Ela me olhou triste. Eu aos prantos. Fui covarde. Preferi não tentar. Fizemos planos para quando a faculdade passasse. Cinco anos. Em torno de 1825 dias. Eu não quis mais tentar. Eu desisti antes de dar errado. Na minha cabeça se desse errado agora ela podia até me enxergar como uma frouxa, mas talvez eu ainda pudesse conquista-la um dia. Então, desisti. De cabeça baixa mesmo. Apenas como uma promessa “Nos encontraremos daqui a cinco anos”.

Os dias me corroeram. Contei durante um ano cada dia que acabava. Abria a tua pasta que dizia “amor”. Tão clichê, como o nosso próprio sentimento. Revia todos os dias no início da madrugada as nossas fotos. Aquele teu cabelo ruivo. Dentes enormes, um pouco tortos, quase nada. Olhos furtivos e castanhos. Pele branca, de cor estridente. Ah... Como eu sorria ao ver aquelas fotos e como eu sempre terminava a derramar algumas gotas salgadas dos olhos. E eu sempre repetia “é ela”.

Sabe quando você é tão autodestrutivo que não se sente satisfeito em acabar com a sua vida apenas fumando um maço de cigarros por dia. Ou, bebendo todas em plena segunda-feira. Quem sabe, deixando de estudar para aquelas provas ridículas. Sabe quando você quer sentir tanta dor para que acabe com aquela maior que termina fazendo merda atrás de merda. Pois bem, essa sou eu. Porque não consigo me recuperar de uma pancada sem me jogar numa ladeira antes e me arrebentar toda. É como quando você tem um machucado no dedão do pé e em vez de fazer um curativo, você simplesmente chuta a parede. Essa sou eu.

Ela me deu abraços de mãe, amiga e amante. Beijos de criar borboletas no estômago, sim essa porra de clichê. Carinho dolorido. Marcou meu cérebro com o seu perfume. Arrancou-me a merda de alma que eu tinha e o trancou em um cativeiro cheio de ratazanas. Amordaçou meus sentimentos com as tuas palavras tão maduras. Tirou-me o prazer que eu pudesse ter com qualquer outra ao cravar teus seios em minha memória. Ela deu-me tudo enquanto nada pedia em troca. Às vezes até sinto raiva disso. Ela não poderia apenas ter me comido a virgindade e me partido o coração?

Depois de um ano, em que me aventurei com outras mulheres e me prendi a uma para acalentar essa dor, acabei que criei uma maior. Ela se mostrou indiferente inicialmente, entretanto nunca mais me deu notícia. Apresentei-lhe minha nova namorada, esfregando na sua cara do que eu era capaz e ela me disse “parabéns” com lágrimas nos olhos, fiquei com vergonha, mas senti prazer porque era como se eu devolvesse a dor que ela me causara, uma dor que ela nem ao menos intencionava. Estraguei. Chutei a parede com o pé machucado. Sangrei até foder com ele todo, até ficar aleijado. Essa sou eu.

Pouco tempo depois, já tentando me conformar, esbarrei com ela numa festa, eu que já estava bêbada lhe disse “parabéns” quando a vi de mãos dadas com outras e lhe perguntei ao ouvido “ainda lembra da nossa promessa?” ela olhou pra mim com pena, como se eu fosse um leproso, como se a minha existência fosse tão insignificante que ela só estava ali a me responder porque não havia mais nada de interessante, olhei fixamente em seus olhos procurando aquela garota que como uma desculpa para me beijar pela primeira vez entrou em um mar gelado em plena às 21hs e saiu toda molhada para me abraçar, me ergueu em seus braços como se fosse um filme, o nosso filme... E me beijou! Ficamos a nos olhar por no máximo uns 5 segundos eu acredito, mas me fez lembrar de tudo, eu ainda via amor ali naqueles seus olhos castanhos, então largou da mão da atual namorada e foi aproximando a sua boca do meu ouvido e sussurrou “você estragou qualquer chance, lhe entrego à vida, se cuida” e foi embora.

Hoje, ela é como AIDS pra mim, sem exagero da palavra, lembro-me todos os dias da sua existência porque dói e me acabo no cigarro e no álcool porque eu sei que um dia isso tudo vai simplesmente me matar.

Nostalgia I


Acordei mais um dia. São duas da tarde. Levanto-me meio que cambaleando. Procurando uma luz na escuridão do meu quarto. Abro de uma só vez as cortinas para que o sol da tarde acabe de me torturar. Respiro fundo ao sentir o vento bater no rosto, quase que se esquecendo do turbilhão de problemas que me apetecem. E dói. Não só os problemas mais a ressaca de remédios e cigarros da noite anterior. Naquele momento me fizeram tão bem e agora só se juntou ao meu estômago como uma comida estragada.

Olho para a cama e como se ela me chamasse eu desabo nas cobertas geladas, agarrando-a na esperança de que aquele nosso relacionamento eu não ia conseguir estragar nunca. Fecho os olhos antes que meus pensamentos retornassem. O telefone toca “hora do drama”, eu penso. A minha vontade é de jogá-lo na parede, mas aí eu só adiaria algo que no fim das contas ia acabar acontecendo. Pego um cigarro e atendo.

“Como você ‘ta’?”. Que se foda. Eu estou uma merda, é o que eu penso que queria dizer. Mas sou madura, afinal de contas só fumei uma carteira de cigarro na noite anterior quando eu queria devorar uma tabacaria inteira. “Eu estou bem”. Mas aí eu esqueço de devolver a pergunta e o drama começa. Depois da terceira frase eu já não estou escutando mais nada, só a minha cabeça latejando e pulsando como se fosse um coração doente. Ela fala o que quer e como criaram o “aham” eu o utilizei na ligação toda, a fez feliz – eu sei. Depois de um tempo crio uma desculpa boba e desligo o telefone. Acendo outro cigarro. Confiro o celular mais uma vez, nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhum sinal de vida daquela ingrata. Que eu machuquei a dois anos atrás. Provavelmente que nunca voltará a essa minha vida, que se tornou tão imunda depois da sua partida.

Vou pro banho com o terceiro cigarro à mão. Ligo o chuveiro e sento no chão, do outro lado do vidro que me separa daquela água quente. E choro. Por ela que me amou tanto quando eu não merecia. Por ela que me entregou os pés, a alma, o corpo, pele e pelos. Por ela que me estragou para as outras quando me mimou tanto com os seus “eu te amo” bêbados. A chamo de vadia, puta e desgraçada enquanto olho para aquela parede sem vida e que se assemelha tanto aos meus dias. Chamo de puta a única mulher que amei e que resolveu sair dessa autodestruição que é a minha existência.

Tomo meu banho. Fumo outro maço de cigarros. Tomo café. Me entupo de remédios e durmo, amanhã é só mais um outro dia.

“De repente, estávamos louca, desajeitada, imprudente e angustiadamente apaixonados um pelo outro - e desesperadamente, deveria acrescentar, pois aquele frenesi de posse mútua só poderia ser apaziguado se, verdadeiramente, absorvêssemos e assimilássemos todas as partículas da carne e da alma um do outro”

Lolita, Vladimir Nabokov

Memórias de Amor I

É triste, mas às vezes te associo a um “caminho sem volta”. E pela primeira vez o fato de eu acreditar que estaremos sempre juntos não é mais romântico. Não que não exista amor. Entretanto, o se sentir presa a algo é um tanto deprimente, o medo de sair, de arriscar uma ficada qualquer, de estar apenas porque não quer estar sozinho consigo mesmo. Mas há amor, não aquele de anos atrás, aquele que o coração gelava e a perna estremecia só de cruzar com alguém com o mesmo perfume que o seu. Não existe mais isso, algumas vezes até abro a sua parte do armário pra ler qual perfume é o teu, e pego tuas roupas e esfrego no nariz, mas seu cheiro só permanece na memória por mais 2 minutos e já me pego fazendo outra coisa. Mas eu te amo, eu te amo como alguém que quero ao meu lado, pra cuidar da minha doença e tristeza. Amo pelo desejo de querer estar. Amo pelo simples fato de estar acomodada. Mas amo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Um Bêbado e Ninguém Mais II


Enquanto a Chico suavizava as suas músicas com aquela voz de veludo, eu estava com dor no corpo por uma mulher de coração absorvente, parecia que tinham empalado uma massa de solidão no meu peito. Me peguei pensando de forma distraída que amores são imperfeitos mesmo, não existe nada concreto nisso, quando encaramos estar verdadeiramente com alguém sabemos que o que está a nos esperar é um abismo e não um lago transparente.  Pode ser que passemos um dia, uma semana, um mês ou dez anos e, em seguida, pode simplesmente acabar. Mas é mulher, pelo jeito essa é a nossa vez.

Ela foi embora sem nem dar aviso prévio, só disse um “tchau” com as mãos postadas às suas malas, que levava até a porta, cabeça firme, olhando sempre pra frente. Abriu a porta e olhou-me pela última vez com aqueles olhos de pena, me fitando como se eu fosse um bicho leproso. A minha vontade era de esbofeteá-la naquele momento, mas eu não tinha forças nem para chorar.

Estava lá, já afogada na minha décima dose de dor. Culpando-me por deixa-la ir, culpando-me pelos erros que ela cometeu. Foi embora, talvez por cansada de tanto errar. Foi embora, eu nunca nem perguntei o porquê. Nem vou. Hoje só serei eu, a música, o cigarro e duas doses – uma de solidão, a outra de álcool.

Um Bêbado e Ninguém Mais


São 4 horas da madrugada. Mais uma noite sozinho, cigarro numa mão whisky noutra. Como sempre, pensando nela. De vez em quando vem uma lembrança dos nossos momentos. Agora pouco lembrei de uma tarde de sábado que eu estava a ler meus livros, sentado num banco vermelho que ficava em frente ao lago central, matutando porque diabos alguém pintaria um banco de um vermelho tão chamativo até que ela apareceu. Cruzei com ela algumas vezes, até pensei que era a vida aprontando uma comigo, porque a vejo tanto? Fiquei assustado, vai que ela pensa que eu estou perseguindo, essa deve ser a terceira vez que nos cruzamos, apesar de nunca termos nos falado. A verdade é que acho que ela nunca nem me notou.

Levantei um pouco o livro e fiquei olhando meio que de lado, encostei tanto no rosto que até notei o quão empoeirado estava meu Casmurro. Fiquei olhando seus movimentos com um olho só, cada passo eu acompanhava. Ela estava linda. Mas isso é até desnecessário falar. Ela sempre está linda.

Nunca conversamos, mas sei que sua voz é doce, uma vez escutei ela falando “moço? Quanto custa o picolé?”. Ah... Eu queria ter gravado! “moço” “moço” “moço”. Qualquer um teria se apaixonado nesse momento, aposto que o “moço” se apaixonou por ela como eu também me apaixonei. Nunca havia escutado uma voz tão doce na minha vida inteira, não pense que é exagero porque não é.

Agora, sempre antes de dormir eu repito “moço, moço, moço”. 
"Pega no meu queixo e diz que não sou só eu que sinto medo aqui. Faça alguma coisa ruim, qualquer coisa que me impeça imediatamente de sentir esse amor absurdo por você. Estou nas suas mãos e isso não é uma metáfora. Porque eu já não sei mais nada. Parece que sou mesmo seu foco de vida, mas também pode ser que você ande apenas distraído do resto do mundo. Ou, vai que você tá mesmo certo, as coisas são assim mesmo, o amor invade pela boca enquanto a gente se olha e fica rindo."

Gabito Nunes