segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um passado. Que sempre foi passado.


Sempre te achei uma moça com olhos dissimulados. Desde o primeiro dia que me olhou de forma despretensiosa, mas me querendo no seu mundo. Querendo-me de forma egoísta, aos seus pés, em suas mãos, na pele, no corpo, dentro de ti. Olhou-me com olhos de quem nada quer e, beijou-me com fome. Pôs a confusão na minha cabeça, achei divertido, achei uma aventura me aventurar nos teus braços. Aventurei-me.

Mentiu uma. Duas. Três. Mil vezes. Com os mesmos olhos que me olhou da primeira vez. Sem sentimento, sem dó. Com a mesma frieza de uma puta que faz todo o trabalho pensando no dinheiro sujo de prazer disfarçado. Enganou-me enquanto sussurrava amor aos meus ouvidos. Acreditei, não por acreditar realmente, mas apenas por querer, por comodidade, por amor juvenil. Fez-me puta dos seus sonhos e aceitei, lá no fundo sabendo exatamente qual era o meu papel.

Fez-me beber, fumar, foder. Escutei a música e simplesmente dancei.

Causou-me dor, mas não dor de amor como deveras pensa. Causou-me apenas essa dor que aqui sinto, dor de solidão por lembrar na posse que tinha sobre vocês nos dias frias, na calada da noite, ao amanhecer enquanto eu te olhava dormir. Tirou-me a liberdade para me enclausurar em um paraíso atormentado. Causou-me sangramento profundo, vícios incuráveis, soluços sem sentido.

Fez-me sua, sem realmente fazer. Fez-me sua numa ilusão que eu quis no momento. Fez-me sua numa mentira sem fim. Num medo. Numa comodidade gostosa e dolorosa.

Hoje, o cigarro dói na garganta. A bebida dói na goela. O sorriso perfura. O beijo faz sangrar. Hoje, a distância parece tão infinita que nem aos menos sei quem é tu realmente. Quem és? Hoje, de ti nada quero. Nem carinho. Nem o amor mentirosa que me juraste com a mesma boca que beijastes tantas. Tantas outras, que nem sei o nome nem endereço. Até gostaria de saber, para bater lá na porta e perguntar se com elas foi tão falso como comigo foi.

E depois de tantos anos, essa é a lembrança que ficará de ti. A pessoa que cuidou como mãe, mas traiu como pai. Que ensinou-me a viver, mas fechou meu coração em uma paranoia sem fim. E depois de tantos anos, queria eu guardar as boas lembranças, mas delas não consigo lembrar. Porque para cada palavra que você falou de forma verdadeira, se é que falou, sei que veio dez mentiras, ou onze, até doze se brincar. É isso, você brinca com a verdade na sua vida. Brinca como se fosse coisa pouca, como se dor não causasse.

Mas te perdoo, por pena.

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