Vez
ou outra estou aqui eu a implorar por tua atenção. Acompanho teus passos
discretamente com a esperança de esbarramos na avenida principal. Mas, sempre
chego atrasada. Nem acho que nossos relógios estão ajustados mais no mesmo
horário. E até acho que quando você se foi, tratou de atrasar o horário dos
meus para que eu ficasse perdida.
Eu
sei que você quis ir, eu sei que não fiz nada para te impedir. Mas me dá o
direito de pedir que você volte. Me dá o direito de mendigar por sua presença
como uma putinha por dinheiro. Lambo-te os pés. Pode julgar porra! Eu não ligo,
porque ela... Você não sabe quem é ela e se soubesse talvez fosse você quem
tivesse de quatro a beijar-lhe os pés.
Ela
é uma morena. Daquelas de pele macia e olhar profundo. Daquelas que mata
qualquer assexuado de desejo. Porque ela é segura de si, fora da cama é como se
fosse uma santa, com aquela cara de menina moça, mas na cama... Ah! É na cama
que você a conhece de verdade, com aquela cara de puta, mordendo os lábios
enquanto você a come, enquanto ela pede por mais.
Sim!
Eu lambia teus pés com o mesmo desejo que chupei teus seios naquele dia 12.
Naquele que a beijei com tanta vontade que esqueci até de respirar. Esquecemos
até que é “errado” foder no primeiro encontro. Esquecemos qualquer lógica que
existe. Troquei a despedida da noite por uma saída calorosa quando o dia
amanheceu. Digo calorosa porque ainda sentíamos o prazer de nossas mãos
deslizando pelo corpo uma da outra.
Mas
deixa pra lá! Porque mesmo que eu te lamba o corpo todo ela já se foi. E hoje,
é como se a sua existência se resumisse a um iceberg dentro de uma piscina de
plástico. Tem algo muito frio dentro de um corpo muito pequeno. Não digo isso
por desdém. Nem por ela ter me deixado. Muito menos porque ainda a amo, até
mais do que no primeiro dia. Digo isso porque essa é a verdade dos fatos.
Pode
até ser arrogante dizer isso, mas só eu derreteria todo aquele gelo. Sabe por
quê? Ninguém conhece essa mulher como eu! Lhe conheço o corpo, cada ponto de
fraqueza. Não só aqueles que lhe dão prazeres carnais, mas aqueles que te fazem
sorrir. Sei o que ela gosta de tomar ao acordar. Sei também qual sua cor de
esmalte preferida. Sei quais são seus medos, apesar de nem ela saber. Sei o que
ela quer para o futuro e saiba que esse é o ponto principal. Porque eu sou tudo
isso que ela quer, por esse motivo também sou o seu maior medo. Ela se foi por
medo. E lá no fundo ela sabe disso. Toda essa frieza é como o escudo do
guerreiro. E ela é sim uma guerreira, é mulher forte, mas não é imune a toda
essa dor. Porque o amor é assim, não se sente satisfeito com a calmaria de um
sentimento doce, ele causa dor, mesmo que ninguém seja o culpado do crime.
Então
volta morena. Volta porque talvez eu mesma vire um iceberg aí será mais
difícil. Porque teremos que esperar a correnteza nos fazer colidir... E o
mar... Ah! O mar é imenso e salgado.
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