quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Um Bêbado e Ninguém Mais II


Enquanto a Chico suavizava as suas músicas com aquela voz de veludo, eu estava com dor no corpo por uma mulher de coração absorvente, parecia que tinham empalado uma massa de solidão no meu peito. Me peguei pensando de forma distraída que amores são imperfeitos mesmo, não existe nada concreto nisso, quando encaramos estar verdadeiramente com alguém sabemos que o que está a nos esperar é um abismo e não um lago transparente.  Pode ser que passemos um dia, uma semana, um mês ou dez anos e, em seguida, pode simplesmente acabar. Mas é mulher, pelo jeito essa é a nossa vez.

Ela foi embora sem nem dar aviso prévio, só disse um “tchau” com as mãos postadas às suas malas, que levava até a porta, cabeça firme, olhando sempre pra frente. Abriu a porta e olhou-me pela última vez com aqueles olhos de pena, me fitando como se eu fosse um bicho leproso. A minha vontade era de esbofeteá-la naquele momento, mas eu não tinha forças nem para chorar.

Estava lá, já afogada na minha décima dose de dor. Culpando-me por deixa-la ir, culpando-me pelos erros que ela cometeu. Foi embora, talvez por cansada de tanto errar. Foi embora, eu nunca nem perguntei o porquê. Nem vou. Hoje só serei eu, a música, o cigarro e duas doses – uma de solidão, a outra de álcool.

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