Estava prestes a
completar mais um mês de existência quando rompi com ela. Disse-lhe adeus,
assim como a pessoa mais decidida do mundo. Entreguei-lhe ao mundo com lágrimas
nos olhos. Ela me olhou triste. Eu aos prantos. Fui covarde. Preferi não
tentar. Fizemos planos para quando a faculdade passasse. Cinco anos. Em torno
de 1825 dias. Eu não quis mais tentar. Eu desisti antes de dar errado. Na minha
cabeça se desse errado agora ela podia até me enxergar como uma frouxa, mas
talvez eu ainda pudesse conquista-la um dia. Então, desisti. De cabeça baixa
mesmo. Apenas como uma promessa “Nos encontraremos daqui a cinco anos”.
Os dias me corroeram.
Contei durante um ano cada dia que acabava. Abria a tua pasta que dizia “amor”.
Tão clichê, como o nosso próprio sentimento. Revia todos os dias no início da
madrugada as nossas fotos. Aquele teu cabelo ruivo. Dentes enormes, um pouco
tortos, quase nada. Olhos furtivos e castanhos. Pele branca, de cor estridente.
Ah... Como eu sorria ao ver aquelas fotos e como eu sempre terminava a derramar
algumas gotas salgadas dos olhos. E eu sempre repetia “é ela”.
Sabe quando você é
tão autodestrutivo que não se sente satisfeito em acabar com a sua vida apenas
fumando um maço de cigarros por dia. Ou, bebendo todas em plena segunda-feira.
Quem sabe, deixando de estudar para aquelas provas ridículas. Sabe quando você
quer sentir tanta dor para que acabe com aquela maior que termina fazendo merda
atrás de merda. Pois bem, essa sou eu. Porque não consigo me recuperar de uma
pancada sem me jogar numa ladeira antes e me arrebentar toda. É como quando
você tem um machucado no dedão do pé e em vez de fazer um curativo, você
simplesmente chuta a parede. Essa sou eu.
Ela me deu abraços de
mãe, amiga e amante. Beijos de criar borboletas no estômago, sim essa porra de
clichê. Carinho dolorido. Marcou meu cérebro com o seu perfume. Arrancou-me a
merda de alma que eu tinha e o trancou em um cativeiro cheio de ratazanas.
Amordaçou meus sentimentos com as tuas palavras tão maduras. Tirou-me o prazer
que eu pudesse ter com qualquer outra ao cravar teus seios em minha memória.
Ela deu-me tudo enquanto nada pedia em troca. Às vezes até sinto raiva disso.
Ela não poderia apenas ter me comido a virgindade e me partido o coração?
Depois de um ano, em
que me aventurei com outras mulheres e me prendi a uma para acalentar essa dor,
acabei que criei uma maior. Ela se mostrou indiferente inicialmente, entretanto
nunca mais me deu notícia. Apresentei-lhe minha nova namorada, esfregando na
sua cara do que eu era capaz e ela me disse “parabéns” com lágrimas nos olhos,
fiquei com vergonha, mas senti prazer porque era como se eu devolvesse a dor
que ela me causara, uma dor que ela nem ao menos intencionava. Estraguei.
Chutei a parede com o pé machucado. Sangrei até foder com ele todo, até ficar
aleijado. Essa sou eu.
Pouco tempo depois,
já tentando me conformar, esbarrei com ela numa festa, eu que já estava bêbada
lhe disse “parabéns” quando a vi de mãos dadas com outras e lhe perguntei ao
ouvido “ainda lembra da nossa promessa?” ela olhou pra mim com pena, como se eu
fosse um leproso, como se a minha existência fosse tão insignificante que ela
só estava ali a me responder porque não havia mais nada de interessante, olhei
fixamente em seus olhos procurando aquela garota que como uma desculpa para me
beijar pela primeira vez entrou em um mar gelado em plena às 21hs e saiu toda
molhada para me abraçar, me ergueu em seus braços como se fosse um filme, o
nosso filme... E me beijou! Ficamos a nos olhar por no máximo uns 5 segundos eu
acredito, mas me fez lembrar de tudo, eu ainda via amor ali naqueles seus olhos
castanhos, então largou da mão da atual namorada e foi aproximando a sua boca
do meu ouvido e sussurrou “você estragou qualquer chance, lhe entrego à vida,
se cuida” e foi embora.
Hoje, ela é como AIDS
pra mim, sem exagero da palavra, lembro-me todos os dias da sua existência
porque dói e me acabo no cigarro e no álcool porque eu sei que um dia isso tudo
vai simplesmente me matar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário