segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Nostalgia I


Acordei mais um dia. São duas da tarde. Levanto-me meio que cambaleando. Procurando uma luz na escuridão do meu quarto. Abro de uma só vez as cortinas para que o sol da tarde acabe de me torturar. Respiro fundo ao sentir o vento bater no rosto, quase que se esquecendo do turbilhão de problemas que me apetecem. E dói. Não só os problemas mais a ressaca de remédios e cigarros da noite anterior. Naquele momento me fizeram tão bem e agora só se juntou ao meu estômago como uma comida estragada.

Olho para a cama e como se ela me chamasse eu desabo nas cobertas geladas, agarrando-a na esperança de que aquele nosso relacionamento eu não ia conseguir estragar nunca. Fecho os olhos antes que meus pensamentos retornassem. O telefone toca “hora do drama”, eu penso. A minha vontade é de jogá-lo na parede, mas aí eu só adiaria algo que no fim das contas ia acabar acontecendo. Pego um cigarro e atendo.

“Como você ‘ta’?”. Que se foda. Eu estou uma merda, é o que eu penso que queria dizer. Mas sou madura, afinal de contas só fumei uma carteira de cigarro na noite anterior quando eu queria devorar uma tabacaria inteira. “Eu estou bem”. Mas aí eu esqueço de devolver a pergunta e o drama começa. Depois da terceira frase eu já não estou escutando mais nada, só a minha cabeça latejando e pulsando como se fosse um coração doente. Ela fala o que quer e como criaram o “aham” eu o utilizei na ligação toda, a fez feliz – eu sei. Depois de um tempo crio uma desculpa boba e desligo o telefone. Acendo outro cigarro. Confiro o celular mais uma vez, nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhum sinal de vida daquela ingrata. Que eu machuquei a dois anos atrás. Provavelmente que nunca voltará a essa minha vida, que se tornou tão imunda depois da sua partida.

Vou pro banho com o terceiro cigarro à mão. Ligo o chuveiro e sento no chão, do outro lado do vidro que me separa daquela água quente. E choro. Por ela que me amou tanto quando eu não merecia. Por ela que me entregou os pés, a alma, o corpo, pele e pelos. Por ela que me estragou para as outras quando me mimou tanto com os seus “eu te amo” bêbados. A chamo de vadia, puta e desgraçada enquanto olho para aquela parede sem vida e que se assemelha tanto aos meus dias. Chamo de puta a única mulher que amei e que resolveu sair dessa autodestruição que é a minha existência.

Tomo meu banho. Fumo outro maço de cigarros. Tomo café. Me entupo de remédios e durmo, amanhã é só mais um outro dia.

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