quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Um Bêbado e Ninguém Mais


São 4 horas da madrugada. Mais uma noite sozinho, cigarro numa mão whisky noutra. Como sempre, pensando nela. De vez em quando vem uma lembrança dos nossos momentos. Agora pouco lembrei de uma tarde de sábado que eu estava a ler meus livros, sentado num banco vermelho que ficava em frente ao lago central, matutando porque diabos alguém pintaria um banco de um vermelho tão chamativo até que ela apareceu. Cruzei com ela algumas vezes, até pensei que era a vida aprontando uma comigo, porque a vejo tanto? Fiquei assustado, vai que ela pensa que eu estou perseguindo, essa deve ser a terceira vez que nos cruzamos, apesar de nunca termos nos falado. A verdade é que acho que ela nunca nem me notou.

Levantei um pouco o livro e fiquei olhando meio que de lado, encostei tanto no rosto que até notei o quão empoeirado estava meu Casmurro. Fiquei olhando seus movimentos com um olho só, cada passo eu acompanhava. Ela estava linda. Mas isso é até desnecessário falar. Ela sempre está linda.

Nunca conversamos, mas sei que sua voz é doce, uma vez escutei ela falando “moço? Quanto custa o picolé?”. Ah... Eu queria ter gravado! “moço” “moço” “moço”. Qualquer um teria se apaixonado nesse momento, aposto que o “moço” se apaixonou por ela como eu também me apaixonei. Nunca havia escutado uma voz tão doce na minha vida inteira, não pense que é exagero porque não é.

Agora, sempre antes de dormir eu repito “moço, moço, moço”. 

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