São
4 horas da madrugada. Mais uma noite sozinho, cigarro numa mão whisky noutra. Como
sempre, pensando nela. De vez em quando vem uma lembrança dos nossos momentos. Agora
pouco lembrei de uma tarde de sábado que eu estava a ler meus livros, sentado
num banco vermelho que ficava em frente ao lago central, matutando porque
diabos alguém pintaria um banco de um vermelho tão chamativo até que ela
apareceu. Cruzei com ela algumas vezes, até pensei que era a vida aprontando uma
comigo, porque a vejo tanto? Fiquei assustado, vai que ela pensa que eu estou
perseguindo, essa deve ser a terceira vez que nos cruzamos, apesar de nunca
termos nos falado. A verdade é que acho que ela nunca nem me notou.
Levantei
um pouco o livro e fiquei olhando meio que de lado, encostei tanto no rosto que
até notei o quão empoeirado estava meu Casmurro. Fiquei olhando seus movimentos
com um olho só, cada passo eu acompanhava. Ela estava linda. Mas isso é até
desnecessário falar. Ela sempre está linda.
Nunca
conversamos, mas sei que sua voz é doce, uma vez escutei ela falando “moço?
Quanto custa o picolé?”. Ah... Eu queria ter gravado! “moço” “moço” “moço”. Qualquer
um teria se apaixonado nesse momento, aposto que o “moço” se apaixonou por ela
como eu também me apaixonei. Nunca havia escutado uma voz tão doce na minha vida
inteira, não pense que é exagero porque não é.
Agora, sempre antes de dormir eu repito “moço, moço, moço”.
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