A
casa está suja. Deixamos de varrer, lavar, limpar. Deixamos de nos olhar, nos
tocar, nos beijar. Deixamos de nos tratar, nos respeitar, nos dirigir palavras.
A casa está suja. Como quando a encontramos, sem amor, sem carinho, sem
compaixão. Acabou as músicas no meio da noite, os abraços apertados, os
sorrisos intercalados.
Vez
ou outra sinto cede e acabo cruzando com suas coisas ainda jogadas na mesa, um
anel caído no chão, uma sandália no pé da porta e um fantasma a me assustar. Não
sinto saudades de você aqui, nem do seu corpo colado no meu. Minhas lembranças
não são direcionadas ao seu jeito protetor comigo, cuidando dos meus cabelos,
ajeitando a minha postura. Minhas memórias só me levam a dor que depositou em
meu peito, ao entrave que jogasse em meu coração, me deixa amar... Mente mais
uma vez e me convence de que nem todo mundo é como você, me convence que nem
todos irão me machucar e me tratar como um pedaço sem vida. Mente mais uma vez
e diz que tudo vai ficar bem. Ou não, apenas saia pela porta de uma vez e não
volte nunca mais. Deixe-me esquecer de todo o seu cinismo, de toda a sua
atuação. Me liberte de suas inverdades, suma. Porque, só de olhar pra ti, meu
coração chora.
E de todas as mentiras que
você me disse, “eu te amo” era a minha preferida.
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