domingo, 7 de abril de 2013


O problema de tudo é que ela chegou em um momento que não podia chegar. Arrebatou-me de um mundo que só continha dor. Seu sorriso clareou as mágoas, fez-se sóbrio em uma realidade embaçada. Teu olhar, profundo, que quase não quis cruzar com o meu. Talvez por medo de encarar a profundidade que é a minha vida. Talvez por receio de se perder e nunca mais sair. Nunca havia demorado tanto tempo pra eu olhar no fundo dos olhos de uma garota e vice-versa. A gente tentou se desencontrar em algo que simplesmente... foi um encontro. E antes que estava uma turbulência, uma tempestade ainda maior veio com a cor dos teus olhos. E agora você se vai, tão rápido quanto veio, daquelas paixões de cinema que tudo acontece em exatos 90 minutos e só ficou mais uma dor no meu peito, um soluço incontido, uma saudade sem porquê, sem razão. E agora não tenho mais aquela fonte segura que são os teus braços em abraços sem fim, apertados que toca até a alma.

“E o que foi prometido ninguém prometeu” e como a música diz, nenhum tempo foi perdido menina. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Desatina


A casa está suja. Deixamos de varrer, lavar, limpar. Deixamos de nos olhar, nos tocar, nos beijar. Deixamos de nos tratar, nos respeitar, nos dirigir palavras. A casa está suja. Como quando a encontramos, sem amor, sem carinho, sem compaixão. Acabou as músicas no meio da noite, os abraços apertados, os sorrisos intercalados.

Vez ou outra sinto cede e acabo cruzando com suas coisas ainda jogadas na mesa, um anel caído no chão, uma sandália no pé da porta e um fantasma a me assustar. Não sinto saudades de você aqui, nem do seu corpo colado no meu. Minhas lembranças não são direcionadas ao seu jeito protetor comigo, cuidando dos meus cabelos, ajeitando a minha postura. Minhas memórias só me levam a dor que depositou em meu peito, ao entrave que jogasse em meu coração, me deixa amar... Mente mais uma vez e me convence de que nem todo mundo é como você, me convence que nem todos irão me machucar e me tratar como um pedaço sem vida. Mente mais uma vez e diz que tudo vai ficar bem. Ou não, apenas saia pela porta de uma vez e não volte nunca mais. Deixe-me esquecer de todo o seu cinismo, de toda a sua atuação. Me liberte de suas inverdades, suma. Porque, só de olhar pra ti, meu coração chora.

E de todas as mentiras que você me disse, “eu te amo” era a minha preferida.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

“Todos os dias quando acordo...”


É como se o mundo de ontem tivesse ficado pra trás e o de hoje veio despedaçado com memórias sujas, arrependimentos mortais ou até mesmo uma derrota de algumas horas. É porque, sem você, você que não sei quem, faz falta. No fim da noite imagino teu carinho, você esfregando teu nariz gelado na minha bochecha, tua mão entrelaçando na minha, teus olhos verdadeiros em um brilho infindo, tua voz a dizer que me ama, como se fosse um uníssono de harmonia ímpar. E eu sinto falta de tudo isso que ainda não vivi contigo; das conversas a serem jogadas foras; das piadas compartilhadas; dos sorrisos na mesma intensidade, velocidade e tom. E eu sinto falta do teu cheiro que fico a fantasiar na minha cabeça, ele é doce, mas não tão doce. Eu sinto falta de ti, que ainda não chegou, que ainda não me conheceu, que ainda não me jurou tua vida, nem despedaçou meu dia de saudade ao sair de casa pra ir ao trabalho. E todos os dias quando acordo, lembro que pode ser hoje, daqui algumas horas, que vou cruzar contigo... e vamos sorrir, no mesmo instante.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Quando choramos


Nós choramos quando há extremos. Com a maior tristeza. Com a maior alegria. Choramos com a morte. Choramos com o nascimento. Derramamos lágrimas quando nos traem. Derramamos lágrimas quando são honestos. Botamos pra fora quando a pessoa chega na nossa vida de uma forma inesperada a nos tirar o ar, mas também choramos quando ela se vai, assim... Sem nem ao menos dizer “adeus”. Choramos por ódio. Choramos por amor.

Há um choro que é só meu. Eu choro com a beleza do amor. Bem no início, ainda quando é apenas um quase-amor. Quando está ali parado a nos tirar o ar, com a incerteza se no amanhã ainda permanecerá vivo, bem como uma flor fraquinha no jardim. Ah, eu choro com esse amor inicial porque ele é lindo e agonizante. É coberto de mistérios e o verdadeiro. Se é pra ser continua, se não vai-se embora. Também choro quando há o amor de verdade. O puro. Não aquele acorrentado a um “estou em um relacionamento sério com...”. Não! Esse não é o amor puro. O puro é aquele que você o esconde até o último fôlego. É aquele que dói quando os olhares se cruzam. É quando teu coração dá um aperto a cada beijo. E o calafrio se faz presente a cada toque. Além disso. Amor mesmo é aquele que respeitamos. Que honramos. Que somos fieis. Verdadeiros. Esse amor sim me faz chorar e me derramar em lágrimas. Talvez porque ele não existe, ou se existe ainda não conheci. Porque amor, amor pra ser completo, tem que ser reciproco. E desse amor, desse amor ainda não senti o gosto.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um passado. Que sempre foi passado.


Sempre te achei uma moça com olhos dissimulados. Desde o primeiro dia que me olhou de forma despretensiosa, mas me querendo no seu mundo. Querendo-me de forma egoísta, aos seus pés, em suas mãos, na pele, no corpo, dentro de ti. Olhou-me com olhos de quem nada quer e, beijou-me com fome. Pôs a confusão na minha cabeça, achei divertido, achei uma aventura me aventurar nos teus braços. Aventurei-me.

Mentiu uma. Duas. Três. Mil vezes. Com os mesmos olhos que me olhou da primeira vez. Sem sentimento, sem dó. Com a mesma frieza de uma puta que faz todo o trabalho pensando no dinheiro sujo de prazer disfarçado. Enganou-me enquanto sussurrava amor aos meus ouvidos. Acreditei, não por acreditar realmente, mas apenas por querer, por comodidade, por amor juvenil. Fez-me puta dos seus sonhos e aceitei, lá no fundo sabendo exatamente qual era o meu papel.

Fez-me beber, fumar, foder. Escutei a música e simplesmente dancei.

Causou-me dor, mas não dor de amor como deveras pensa. Causou-me apenas essa dor que aqui sinto, dor de solidão por lembrar na posse que tinha sobre vocês nos dias frias, na calada da noite, ao amanhecer enquanto eu te olhava dormir. Tirou-me a liberdade para me enclausurar em um paraíso atormentado. Causou-me sangramento profundo, vícios incuráveis, soluços sem sentido.

Fez-me sua, sem realmente fazer. Fez-me sua numa ilusão que eu quis no momento. Fez-me sua numa mentira sem fim. Num medo. Numa comodidade gostosa e dolorosa.

Hoje, o cigarro dói na garganta. A bebida dói na goela. O sorriso perfura. O beijo faz sangrar. Hoje, a distância parece tão infinita que nem aos menos sei quem é tu realmente. Quem és? Hoje, de ti nada quero. Nem carinho. Nem o amor mentirosa que me juraste com a mesma boca que beijastes tantas. Tantas outras, que nem sei o nome nem endereço. Até gostaria de saber, para bater lá na porta e perguntar se com elas foi tão falso como comigo foi.

E depois de tantos anos, essa é a lembrança que ficará de ti. A pessoa que cuidou como mãe, mas traiu como pai. Que ensinou-me a viver, mas fechou meu coração em uma paranoia sem fim. E depois de tantos anos, queria eu guardar as boas lembranças, mas delas não consigo lembrar. Porque para cada palavra que você falou de forma verdadeira, se é que falou, sei que veio dez mentiras, ou onze, até doze se brincar. É isso, você brinca com a verdade na sua vida. Brinca como se fosse coisa pouca, como se dor não causasse.

Mas te perdoo, por pena.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Memórias de Amor II


Vez ou outra estou aqui eu a implorar por tua atenção. Acompanho teus passos discretamente com a esperança de esbarramos na avenida principal. Mas, sempre chego atrasada. Nem acho que nossos relógios estão ajustados mais no mesmo horário. E até acho que quando você se foi, tratou de atrasar o horário dos meus para que eu ficasse perdida.

Eu sei que você quis ir, eu sei que não fiz nada para te impedir. Mas me dá o direito de pedir que você volte. Me dá o direito de mendigar por sua presença como uma putinha por dinheiro. Lambo-te os pés. Pode julgar porra! Eu não ligo, porque ela... Você não sabe quem é ela e se soubesse talvez fosse você quem tivesse de quatro a beijar-lhe os pés.

Ela é uma morena. Daquelas de pele macia e olhar profundo. Daquelas que mata qualquer assexuado de desejo. Porque ela é segura de si, fora da cama é como se fosse uma santa, com aquela cara de menina moça, mas na cama... Ah! É na cama que você a conhece de verdade, com aquela cara de puta, mordendo os lábios enquanto você a come, enquanto ela pede por mais.

Sim! Eu lambia teus pés com o mesmo desejo que chupei teus seios naquele dia 12. Naquele que a beijei com tanta vontade que esqueci até de respirar. Esquecemos até que é “errado” foder no primeiro encontro. Esquecemos qualquer lógica que existe. Troquei a despedida da noite por uma saída calorosa quando o dia amanheceu. Digo calorosa porque ainda sentíamos o prazer de nossas mãos deslizando pelo corpo uma da outra.

Mas deixa pra lá! Porque mesmo que eu te lamba o corpo todo ela já se foi. E hoje, é como se a sua existência se resumisse a um iceberg dentro de uma piscina de plástico. Tem algo muito frio dentro de um corpo muito pequeno. Não digo isso por desdém. Nem por ela ter me deixado. Muito menos porque ainda a amo, até mais do que no primeiro dia. Digo isso porque essa é a verdade dos fatos.

Pode até ser arrogante dizer isso, mas só eu derreteria todo aquele gelo. Sabe por quê? Ninguém conhece essa mulher como eu! Lhe conheço o corpo, cada ponto de fraqueza. Não só aqueles que lhe dão prazeres carnais, mas aqueles que te fazem sorrir. Sei o que ela gosta de tomar ao acordar. Sei também qual sua cor de esmalte preferida. Sei quais são seus medos, apesar de nem ela saber. Sei o que ela quer para o futuro e saiba que esse é o ponto principal. Porque eu sou tudo isso que ela quer, por esse motivo também sou o seu maior medo. Ela se foi por medo. E lá no fundo ela sabe disso. Toda essa frieza é como o escudo do guerreiro. E ela é sim uma guerreira, é mulher forte, mas não é imune a toda essa dor. Porque o amor é assim, não se sente satisfeito com a calmaria de um sentimento doce, ele causa dor, mesmo que ninguém seja o culpado do crime.

Então volta morena. Volta porque talvez eu mesma vire um iceberg aí será mais difícil. Porque teremos que esperar a correnteza nos fazer colidir... E o mar... Ah! O mar é imenso e salgado.

Nostalgia II


Estava prestes a completar mais um mês de existência quando rompi com ela. Disse-lhe adeus, assim como a pessoa mais decidida do mundo. Entreguei-lhe ao mundo com lágrimas nos olhos. Ela me olhou triste. Eu aos prantos. Fui covarde. Preferi não tentar. Fizemos planos para quando a faculdade passasse. Cinco anos. Em torno de 1825 dias. Eu não quis mais tentar. Eu desisti antes de dar errado. Na minha cabeça se desse errado agora ela podia até me enxergar como uma frouxa, mas talvez eu ainda pudesse conquista-la um dia. Então, desisti. De cabeça baixa mesmo. Apenas como uma promessa “Nos encontraremos daqui a cinco anos”.

Os dias me corroeram. Contei durante um ano cada dia que acabava. Abria a tua pasta que dizia “amor”. Tão clichê, como o nosso próprio sentimento. Revia todos os dias no início da madrugada as nossas fotos. Aquele teu cabelo ruivo. Dentes enormes, um pouco tortos, quase nada. Olhos furtivos e castanhos. Pele branca, de cor estridente. Ah... Como eu sorria ao ver aquelas fotos e como eu sempre terminava a derramar algumas gotas salgadas dos olhos. E eu sempre repetia “é ela”.

Sabe quando você é tão autodestrutivo que não se sente satisfeito em acabar com a sua vida apenas fumando um maço de cigarros por dia. Ou, bebendo todas em plena segunda-feira. Quem sabe, deixando de estudar para aquelas provas ridículas. Sabe quando você quer sentir tanta dor para que acabe com aquela maior que termina fazendo merda atrás de merda. Pois bem, essa sou eu. Porque não consigo me recuperar de uma pancada sem me jogar numa ladeira antes e me arrebentar toda. É como quando você tem um machucado no dedão do pé e em vez de fazer um curativo, você simplesmente chuta a parede. Essa sou eu.

Ela me deu abraços de mãe, amiga e amante. Beijos de criar borboletas no estômago, sim essa porra de clichê. Carinho dolorido. Marcou meu cérebro com o seu perfume. Arrancou-me a merda de alma que eu tinha e o trancou em um cativeiro cheio de ratazanas. Amordaçou meus sentimentos com as tuas palavras tão maduras. Tirou-me o prazer que eu pudesse ter com qualquer outra ao cravar teus seios em minha memória. Ela deu-me tudo enquanto nada pedia em troca. Às vezes até sinto raiva disso. Ela não poderia apenas ter me comido a virgindade e me partido o coração?

Depois de um ano, em que me aventurei com outras mulheres e me prendi a uma para acalentar essa dor, acabei que criei uma maior. Ela se mostrou indiferente inicialmente, entretanto nunca mais me deu notícia. Apresentei-lhe minha nova namorada, esfregando na sua cara do que eu era capaz e ela me disse “parabéns” com lágrimas nos olhos, fiquei com vergonha, mas senti prazer porque era como se eu devolvesse a dor que ela me causara, uma dor que ela nem ao menos intencionava. Estraguei. Chutei a parede com o pé machucado. Sangrei até foder com ele todo, até ficar aleijado. Essa sou eu.

Pouco tempo depois, já tentando me conformar, esbarrei com ela numa festa, eu que já estava bêbada lhe disse “parabéns” quando a vi de mãos dadas com outras e lhe perguntei ao ouvido “ainda lembra da nossa promessa?” ela olhou pra mim com pena, como se eu fosse um leproso, como se a minha existência fosse tão insignificante que ela só estava ali a me responder porque não havia mais nada de interessante, olhei fixamente em seus olhos procurando aquela garota que como uma desculpa para me beijar pela primeira vez entrou em um mar gelado em plena às 21hs e saiu toda molhada para me abraçar, me ergueu em seus braços como se fosse um filme, o nosso filme... E me beijou! Ficamos a nos olhar por no máximo uns 5 segundos eu acredito, mas me fez lembrar de tudo, eu ainda via amor ali naqueles seus olhos castanhos, então largou da mão da atual namorada e foi aproximando a sua boca do meu ouvido e sussurrou “você estragou qualquer chance, lhe entrego à vida, se cuida” e foi embora.

Hoje, ela é como AIDS pra mim, sem exagero da palavra, lembro-me todos os dias da sua existência porque dói e me acabo no cigarro e no álcool porque eu sei que um dia isso tudo vai simplesmente me matar.

Nostalgia I


Acordei mais um dia. São duas da tarde. Levanto-me meio que cambaleando. Procurando uma luz na escuridão do meu quarto. Abro de uma só vez as cortinas para que o sol da tarde acabe de me torturar. Respiro fundo ao sentir o vento bater no rosto, quase que se esquecendo do turbilhão de problemas que me apetecem. E dói. Não só os problemas mais a ressaca de remédios e cigarros da noite anterior. Naquele momento me fizeram tão bem e agora só se juntou ao meu estômago como uma comida estragada.

Olho para a cama e como se ela me chamasse eu desabo nas cobertas geladas, agarrando-a na esperança de que aquele nosso relacionamento eu não ia conseguir estragar nunca. Fecho os olhos antes que meus pensamentos retornassem. O telefone toca “hora do drama”, eu penso. A minha vontade é de jogá-lo na parede, mas aí eu só adiaria algo que no fim das contas ia acabar acontecendo. Pego um cigarro e atendo.

“Como você ‘ta’?”. Que se foda. Eu estou uma merda, é o que eu penso que queria dizer. Mas sou madura, afinal de contas só fumei uma carteira de cigarro na noite anterior quando eu queria devorar uma tabacaria inteira. “Eu estou bem”. Mas aí eu esqueço de devolver a pergunta e o drama começa. Depois da terceira frase eu já não estou escutando mais nada, só a minha cabeça latejando e pulsando como se fosse um coração doente. Ela fala o que quer e como criaram o “aham” eu o utilizei na ligação toda, a fez feliz – eu sei. Depois de um tempo crio uma desculpa boba e desligo o telefone. Acendo outro cigarro. Confiro o celular mais uma vez, nenhuma ligação, nenhuma mensagem, nenhum sinal de vida daquela ingrata. Que eu machuquei a dois anos atrás. Provavelmente que nunca voltará a essa minha vida, que se tornou tão imunda depois da sua partida.

Vou pro banho com o terceiro cigarro à mão. Ligo o chuveiro e sento no chão, do outro lado do vidro que me separa daquela água quente. E choro. Por ela que me amou tanto quando eu não merecia. Por ela que me entregou os pés, a alma, o corpo, pele e pelos. Por ela que me estragou para as outras quando me mimou tanto com os seus “eu te amo” bêbados. A chamo de vadia, puta e desgraçada enquanto olho para aquela parede sem vida e que se assemelha tanto aos meus dias. Chamo de puta a única mulher que amei e que resolveu sair dessa autodestruição que é a minha existência.

Tomo meu banho. Fumo outro maço de cigarros. Tomo café. Me entupo de remédios e durmo, amanhã é só mais um outro dia.

“De repente, estávamos louca, desajeitada, imprudente e angustiadamente apaixonados um pelo outro - e desesperadamente, deveria acrescentar, pois aquele frenesi de posse mútua só poderia ser apaziguado se, verdadeiramente, absorvêssemos e assimilássemos todas as partículas da carne e da alma um do outro”

Lolita, Vladimir Nabokov